Péricles: ‘A boa música cabe em qualquer lugar’

Péricles: ‘A boa música cabe em qualquer lugar’

Postado em

Cantor tem motivos para comemorar: carreira estável, sucesso no ‘Esquenta’, filho brilhando e o Timão

 

Em janeiro, o cantor sobe aos palcos com o projeto “A Gente Faz a Festa” / Almeida Rocha/Diário SP

 

Por: Camila Juliotti
camilaj@diariosp.com.br

A simplicidade e o carisma justificam o sucesso de mais de 30 anos de carreira. Péricles celebra o fato de se manter na mídia há tanto tempo e ser tão querido. “É muito bom, é uma das coisas que levo como lema de vida. Entendo que a música não pode ter nem um tipo de apelo. Eu tenho muito cuidado com aquilo que vou falar, procuro passar uma mensagem que todos entendam”, disse o cantor, que, mesmo depois de tantos anos, fez questão de preservar as raízes. “Continuo fazendo todas as coisas que eu sempre fiz, por exemplo, voto no mesmo lugar, continuo morando na mesma cidade, moro em outro bairro, mas perto da minha família, dos meus amigos. Meu modo de vida é exatamente igual de quando eu era adolescente.” 

 

DIÁRIO_  Com mais de 30 anos de sucesso, como você vê seu crescimento profissional? 

PÉRICLES_ Eu fico feliz porque eu sou um dos poucos da minha geração que se manteve. Consegui fazer um trabalho, me manter no mercado, continuar tendo a aceitação das pessoas… Eu ainda tenho vontade de buscar coisas novas, me reinventar dentro do mercado. Então, uma vez que eu vejo que ainda consigo me renovar e ter vontade de renovar, isso me deixa muito feliz, mais feliz ainda em saber que as pessoas assinam embaixo das boas ideias, dão seu voto de confiança também. Eu me sinto muito realizado, mas com vontade de sempre buscar mais.

 

No início, teve medo de estourar com uma música e não conseguir se manter?

Ah, tive. São dois medos muito grandes. Primeiro, de não ser bem aceito e, depois, de você conquistar um sucesso muito grande e não ter a mesma atenção, de não conseguir se manter da mesma forma. É difícil. Mas eu consigo ver uma boa aceitação, a vontade de permanecer, como eu disse, ainda é muito grande.

 

Teve um momento crucial na sua carreira ao meu ver: a saída do Exaltasamba. Como foi tomar essa decisão?

Antes de a gente chegar a conclusão que era melhor chegar ao fim do Exalta, tive alguns outros convites para partir para carreira solo, mas naquele momento não daria certo, eu não seria tão bem-sucedido como fui agora no fim do Exalta, depois de nós termos cumprido todas as etapas possíveis e imagináveis. Quando aconteceu, foi na hora certa porque culminou com um lindo trabalho que nós fizemos com o Exaltasamba e, a partir daí, a gente teve a chance de mostrar nosso trabalho, por meio da nossa visão e tudo por nossa conta e risco. Para mim foi um divisor de águas, mas um momento muito importante, que volta toda esse medo, porque começamos do zero, como se faz sempre.

 

Você sente saudade do grupo? Da companhia do pessoal nas viagens? 

Não dá para sentir saudade porque os caras não me deixam (risos). A gente não se larga. Sempre que possível a gente está junto. Os grandes festivais permitem que a gente esteja sempre juntos. Não dá tempo de sentir saudade, não. É maravilhoso isso, inclusive.

Almeida Rocha/DiárioSP

 

 

Você fez um show na Vai-Vai recentemente. Qual sua relação com Carnaval? Gosta?

Gosto. Durante muito tempo eu preferi não dizer a escola que eu torcia em São Paulo porque eu tenho um apreço por todas elas e, durante muito tempo,  lutei e luto pelo Carnaval de São Paulo, pelo samba de São Paulo para que ele seja bem aceito no país. Hoje em dia, a gente tem de lutar para o samba ser uma coisa só. Não existe mais aquela coisa de samba de São Paulo, de Recife, do Sul… O samba tem uma linguagem única e a gente tem de fazer um trabalho para que isso seja melhor visto fora do país. Mas eu gosto muito de Carnaval, tenho muitas escolas que eu gosto. Mas no Rio, em especial, sou Mocidade e isso eu não abro mão.

 

Você toparia desfilar caso pintasse um convite?

Eu já pensei nisso. Eu não sei se dá tempo, né? (risos). Os compromissos no Carnaval também são muito grandes. Eu me lembro que, quando dava tempo, a gente desfilava. O convite cairia muito bem, o problema é o tempo.

 

Aproveitando que você falou que o samba é um só, acho que o “Esquenta”, que você participa, traz essa mistura de ritmos de todo Brasil. O que você acha disso?

O programa levanta a bandeira do junto e misturado e eu concordo muito com isso. Musicalmente falando, quanto mais a gente misturar, é melhor para o público. As pessoas estão afim de ouvir tudo. A boa música cabe em qualquer lugar. O “Esquenta” promove isso e eu sou partidário da mesma ideia.

 

Tem algum ritmo musical que você ouve que as pessoas jamais poderiam imaginar? 

Ah, eu ouço de tudo. Guarânia (gênero musical paraguaio), ouço funk, música black, gospel, forró, rock ouço bastante. Gosto de tudo. Quem gosta de música gosta de música (risos). Não tem muito essa.

 

Muitos dizem que o “Esquenta” é muito carioca e você é um dos rostos mais paulistanos ali. Você se sentiu no começo um pouco fora do ninho? Como é para você representar São Paulo na atração?

Para mim é maravilhoso. Eu nunca senti essa diferença: “Ah, porque ele é de São Paulo”. A forma que fui acolhido lá no programa por todos  sempre me deixou muito à vontade. Eu me sinto parte de um time lá, independentemente de ser de São Paulo ou não. E aí isso gera uma ciumera com os outros também, né? (risos). Todo mundo me vê como de lá. Muita gente me pergunta se sou carioca, se sou baiano, se sou mineiro. Eu falo que sou, porque brasileiro é um pouco de todo lugar.

Almeida Rocha/DiárioSP

 

 

Qual sua relação com São Paulo?

Acho que devido a música que faço, tenho boa penetração em vários lugares. E por muito tempo foi somente na periferia. Hoje, a coisa mudou porque o samba conseguiu entrar em todas as classes. As iniciativas que o Exaltasamba teve ajudaram muito. Nós sambistas pudemos entrar nas casas das pessoas, nos rádios, nos smartphones, nos MP3s… Eu sempre fui e sou até hoje muito bem recebido em  todo lugar. E isso é maravilhoso. O melhor dos mundos, então estou feliz.

 

Nessa questão da visibilidade,  você acha que o “Esquenta”, por ser aos domingos, na Globo,  fez com que muitos passassem a te conhecer?

Acho que sim. Muito por causa do programa, mas uma boa parte também pela “Dança dos Famosos”, que fiz em 2012 e, assim, minha visibilidade era uma até ali. Depois que saímos do Exalta,  eu entrei na “Dança”, fui até bem, e, quando saí, fui direto para o “Esquenta”. Uma coisa puxou a outra. A visibilidade só aumentou e  a proximidade com as pessoas também. Em pouquíssimo tempo eu era o cara da “Dança”, não era mais o cara do grupo. Hoje sou o cara do “Esquenta”, não sou mais o  da “Dança” e muito menos, na cabeça de muitos, o cara do Exalta.

 

A Regina Casé convidou  o Xandy de Pilares para fazer um filme. Se pintasse um para você, aceitaria  atuar?

Acho que sim. Quem sabe, né? (risos). Para quem já dançou, participar de um filme seria uma boa. Se bem que a gente fez um especial de fim de ano, que foi meio que o embrião do “Made in China”. Ela também fazia o papel de alguém que trabalhava ali no Saara e, no lugar do Xandy, quem contracenava com a Regina era o Rodrigo Santoro. Foi bem legal. Eu fiz um Papai Noel, um locutor… Então, quer dizer, se pintar a chance, como já pintou,  e eu aceitei, vamos ver.

 

E o seu filho,  Lucas Morato, como vê o crescimento dele?

O Lucas é uma realidade. Ele começou como uma grande promessa e meu medo, como pai, principalmente, era que as pessoas somente associassem a imagem dele com a minha e eu não quero isso para ele. Quero que ele tenha a carreira dele, as coisas dele e isso está se fazendo acontecer. Hoje, ele é o Lucas Morato, não é o filho do Péricles. Hoje eu sou o pai do Lucas Morato. Isso para mim é uma grande vitória.

 

Sei que você é corintiano roxo. Queria saber qual a expectativa para o título? 

Sou muito, muito, muito corintiano. E no começo do ano estive com alguns componentes do time e a gente conversa muito. Foi justamente naquela transição do começo do ano, quando o time tinha saído da Libertadores, foi até onde deu no Campeonato Paulista e ia começar o Campeonato Brasileiro. Todo mundo estava realmente apreensivo. Alguns jogadores saíram, foi um começo difícil e nem o mais otimista dos corintianos ia imaginar um final de história tão bonito quanto esse que a gente está vendo agora. Então, para mim em particular, é muito legal. Acho que, se fosse escrito um roteiro de um filme, ele não teria um final tão bonito quanto esse que a gente está vendo agora no final de 2015: o Corinthians campeão com uma larga vantagem para o segundo colocado.

 

Você  foi ao jogo ontem?

Não. O proximo jogo que eu vou é no dia 6 de dezembro contra o Avaí, para gente, se Deus quiser, colocar a faixa, de fato, de campeão.

 

Mas vai esperar até lá? Não vai gritar “é campeão” antes?

Não, não vai dar tempo (risos). A gente vai estar na estrada correndo atrás.

Almeida Rocha/DiárioSP

 

 

Você já fez alguma loucura pelo time de coração?

Acho que é a maior loucura que a gente faz é ir ao estádio. Eu fui ver um jogo do Corinthians de trem, no primeiro jogo depois da Copa do Mundo, que foi Corinthians e Inter. Ganhamos de  2 a 1, inclusive. Meu irmão ia e falou: “Quer ir”?. E eu falei: “Quero”. Aí ele falou: “Mas tem de ir de trem”. Eu falei: “Vambora”. E fomos de trem. E estava muito cheio, ninguém acreditaria que eu fosse de trem, que me encontraria no trem. Aí um ou outro abordava… E a gente vai tentando atender na medida do possível. Foi uma loucura.

 

Fonte: http://www.diariosp.com.br/noticia/detalhe/87756/pericles:-a-boa-musica-cabe-em-qualquer-lugar